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Terça-feira, Março 20, 2007
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O homem de lágrimas
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O dia é claro, claro!/ O homem é bom, digo daquele/ Nem todos são, claro/ Mas o homem, aquele, é/
Em seus dias ele é raro/ Ajuda amigos, desconhecidos e farrapos/ Usa sempre de um bom julgar/ E normalmente quando falha/ Sabe que o arrependimento Sempre vem bem a calhar/ Debaixo do Sol, anda sem cessar/ Incansável, ao mundo sabe se doar/ Ao entardecer, retorna a sua casa/ Na cama, o depósito de seu lar/
O bom homem, aquele/ Toda noite em seu quarto/ Derrama rios de lágrimas/ E deixa todo o colchão ensopado/ Segue assim há anos/ Tanto tempo esse se passou/ Que em seu colchão se formou/ Com as lágrimas da dor/ A silhueta do seu próprio corpo/
Uma noite a mais/ Chegando em casa/ O homem, aquele/ Notou que sua silhueta no colchão, não lá estava/ Poderia ter pensado que alguém limpara aquele colchão/ Porém, o homem, aquele/ Ele mora com a solidão/
Ouvindo um barulho estranho/ Do outro cômodo foi entrando/ Uma criatura de infinita particularidade/ Com um olhar de familiaridade/
A criatura não era sólida, nem gasosa/ Soube ele então que era real/ Ela era agradável, uma criatura sensacional/
Os dois conversaram a noite toda/ Ficaram amigos e companheiros/ Agora mais uma prova/ De que esses dois fazem parte do mesmo/
O homem, aquele/ Adormeceu já muito tarde/ Acordou e notou/ A silhueta estava de volta ao colchão/ Mas agora pela metade/ Sentiu o corpo suando para dentro/ E absorvendo-se, de acordo com sua vontade/
enviado por Andino Só Soares as 10:36 AM
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